quarta-feira, 3 de abril de 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Propaganda - O caminho das pedras

Ultimamente andam me homenageando muito, me entrevistando em jornais, programas de TV, Radio etc. Como já estou com setenta e tantos anos, chego a pensar que me aproximo do fim. É o "tie-break"... E por isso mesmo é que insisto sempre com os jovens estudantes e publicitários para que procurem ser éticos, que amem o ofício que escolheram e que sejam profissionais em tempo integral. Então aí vai uma entrevista concedida ao Raul Nogueira Filho, no Programa "Grandes Nomes da Propaganda", em que falo disso, esperando fazer alguma coisa útil para os que estão chegando agora no mercado de trabalho. 

Um abraço!

Acesse:

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Papo de Propaganda

O Pará me cercou de carinhos e homenagens quando estive lá e, se já não bastasse isso, o Gilvan Capistrano, do Papo de Propaganda, fez uma entrevista comigo. Você pode assisti-la, clicando no link abaixo.

Acesse:
Papo de Propaganda

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"A cartilha do Humberto"

Eloy Simões foi um dos publicitários mais criativos que São Paulo ja teve.
Aposentou-se e foi morar em Floripa (sorte dele!), mas como publicitario será sempre escravo do trabalho: o cara hoje é diretor de faculdade.

Eloy fez um comentário no site Acontecendo aqui, que encheu meu coração de alegria e me animou a continuar escrevendo sobre o tema. Tomo a liberdade de transcrevê-lo abaixo.

.....

A cartilha do Humberto

1.“Olhe para as pernas deles.” Ali, no Campo de Treinamento da Barra Funda, eu via Cilinho acompanhar o treino dos jovens da categoria sub vinte. Sentado ao lado dele, ouvia e anotava algumas coisas que poderiam ajudar-me no marketing do S. Paulo F.C., que eu dirigia.

Cilinho é um estudioso das coisas do futebol, dedicação que fez o clube a conquistar, com uma equipe muito jovem dirigida por ele, vários títulos na década de oitenta.
Naquele momento ele me chamava a atenção para um detalhe que passaria despercebido para um leigo como eu:

“Jogador de pernas finas tem muito mais chance de ser um craque do que os de pernas grossas.”

E explicava:
“De uns tempos para cá os clubes começaram a contratar preparadores físicos, gente formada em Universidades, que veio trabalhar com os técnicos, quase todos boleiros que nem eu, que se tornam treinadores depois que param de jogar. Aí, os preparadores, melhor preparados intelectualmente, passaram a impor preparo físico cada vez mais intensivo.  Os jogadores, então, começaram a se tornar atletas e a deixar de lado o futebol-arte. Que, por isso, está perdendo a graça.

Eles ganharam velocidade, chutam mais forte, mas são incapazes de dar um drible bonito, de fazer uma jogada emocionante. São os pernas grossa.”
 

2.Lembrei-me desse episódio quando li Propaganda – O caminho das Pedras, do Humberto Mendes, entre outras coisas vice-presidente executivo da Fenapro, lançado pela Editora NVersos.
De uma forma clara, simples, direta, Humberto mostra o caminho das pedras para quem quer alcançar o sucesso na propaganda. Fala diretamente com os jovens, mas seus ensinamentos atingem a todos  os que se tornaram profissionais de pernas grossas, incapazes de produzir uma comunicação brilhante.
Humberto fala deles, “os publicitários autoconsagrados, que acham que não precisam da orientação de ninguém. Eles pensam que já sabem tudo.” Define o seu público alvo “os alunos de comunicação em qualquer estágio, os formandos e também aqueles que estão entrando hoje no mercado de trabalho”. Critica qualidade do ensino e cita vários exemplos. E dá uma série de sábios conselhos. O primeiro deles:
“Não espere entrar no mercado de trabalho para começar a aprender.”
Aí, deita e rola.
 
3. Enquanto desfila conselhos, Humberto cita algumas personalidades  gigantes da história da publicidade. Como Caio  Domingues, por exemplo:
“Todo produto tem uma história interessante. Vale a pena trabalhar para descobri-la.”
“Um anúncio medíocre custa o mesmo que um anúncio brilhante. E um anúncio burro custa mais caro que um anúncio inteligente, mesmo quando é menor.”
Ou como David Ogilvy:
“Se você entrar direto numa agência de publicidade ao formar-se na Escola de Administração de Harvard, esconda sua arrogância e continue estudando.”
Lembra-nos de pensamentos como
“O tempo e a matéria-prima da vida. Não o desperdice.”
“A única coisa que ninguém consegue recuperar na vida é o tempo perdido.”
E vai por aí afora, distribuindo sabedoria.
Sabedoria que não temos o direito de desperdiçar, a menos que desejemos nos tornar publicitários de perna grossa.
 
 (Elóy Simões. Publicado em: http://www.acontecendoaqui.com.br/posts/a-cartilha-do-humberto-mendes/ no dia13 de fevereiro de 2013)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sustentabilidade: as madeiras de lei e a publicidade

O termo sustentabilidade está cada vez mais em moda no dia a dia das pessoas e em todos os segmentos da sociedade brasileira. Qualquer  coisa é sustentabilidade pra lá, sustentabilidade pra cá... E tome sustentabilidade para tudo.  

Então vamos aproveitar para ampliar um pouco mais o uso do vocábulo, fazendo uma comparação entre o que está acontecendo com as madeiras de lei e a publicidade.
Falando em termos de equilíbrio ecológico, por exemplo, é de lamentar - profundamente lamentável mesmo - a constatação de que nossas chamadas madeiras de lei como jacarandá, cedro, peroba, marfim, mogno e até o pinho que era produzido  em larga escala  no sul do país parecem estar praticamente com os dias contados, porque não vemos o seu replantio. É claro que há exceções, mas a maior parte do reflorestamento de que se tem noticia, está acontecendo com espécies  sem o mesmo valor e nobreza dessas espécies em extinção.

Trazendo esse exemplo para a nossa atividade, a publicidade, é da mesma forma triste, muito triste, a conclusão a que se chega de que não houve renovação dos nossos “homens de lei”,  de grandes profissionais como Armando D’Almeida, Caio Domingues, Renato Castelo Branco e tantos outros  que, comparados ao jacarandá, cedro, peroba, mogno e outros, eram os nossos “paus pra toda obra”, sempre tomando posições em defesa da atividade fazendo-a respeitada em todos os nichos  da sociedade, porque não permitiam que certos  pilantras fizessem uso dela para enriquecimento ilícito. Porque cobravam o preço justo pelo seu trabalho. Porque não abriam mão da ética, da dignidade,  do respeito ao ofício de publicitário  e do profissionalismo que regia suas vidas e a própria atividade.

Lamentavelmente isso é tudo o que não vemos nos nossos dias atuais.  

É claro que existem grandes profissionais que não concordam com o desmanche que está sendo promovido por alguns empresários  da publicidade  que, a exemplo de madeireiros sem caráter e sem respeito, só enxergaram o lucro imediato e dizimaram com as nossas florestas.

Mas ainda há tempo de reparar as falhas e corrigir a rota do nosso negócio. É uma questão de refletir sobre o que estamos fazendo pela sobrevivência de nossa atividade.

Porque  não podemos permitir que ela seja dizimada.   

(Publicado em Propaganda & Marketing em 21.01.13)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ora, pois!

Eu também tenho mania de contar causos e, na maioria das vezes, eles acabam se tornando verdadeiros "cases". Como sempre gostei de poesia, acabei sendo vítima de um vate lusitano, lá pelos idos de 1950 e poucos, ao me deparar com um soneto "de sua autoria".

Esse causo eu conto neste vídeo, veiculado no programa "Grandes nomes da propaganda", e você pode conferir, clicando no link abaixo.

Grandes Nomes da Propaganda

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Propaganda de ontem e de hoje

No Brasil de hoje já não tem lugar para a propaganda de ontem. Não concordo com isso, mas ainda assim  entendo  que é muito importante buscar o aprimoramento técnico e o entendimento da nova linguagem que está aí e, viver de braços dados com  os modernos temas que permeiam as nossas discussões. Outro dia, por exemplo, na comissão de  julgamento do Prêmio Renato Castelo Branco de Responsabilidade Socioambiental na Propaganda,  na ESPM, me entregaram um Ipad  onde estavam os anúncios, filmes, campanhas, vídeos, e tudo o que precisava ser visto, e aí só tive que passar o dedo na tela e começar a trabalhar. Vale enfatizar que neste ano (estamos em outubro de 2012), foi mais fácil, mais clean e mais rápido o trabalho, graças a essa nova plataforma.  

É preciso saber do que se trata, quando se fala em IPAD, IPOD, ação viral de comunicação, tablet,  redes sociais, blog, twitter, facebook, sociedade digital, sustentabilidade socioambiental, mobile, comunicação integrada. É preciso entender a importância de tudo isso na transformação das comunicações, não só aqui, mas em todo o mundo. Enfim é fundamental entender  por que essas coisas mudam tão rapidamente, dando lugar a outras melhores, com a velocidade de uma tecnologia que atualiza tudo, não mais a cada ano e a cada dia, mas a cada minuto ou mesmo a cada segundo.
 
Mas tem uma coisa que não muda nunca  porque é perfeita desde que nasceu. Trata-se da ética, cuja definição nos dicionários é de uma pureza e simplicidade quase sertanejas e que, por isso mesmo não precisa mudar:  “Ética = 1) Parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. 2) Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão...”

É isso mesmo: no exercício de uma profissão.

É por isso que não podemos nos esquecer que a nossa profissão, a publicidade, é movida por valores e princípios éticos, morais e profissionais, e que foi pela prática desses valores que atingimos o estágio de uma das melhores, mais criativas e mais eficazes  publicidades produzidas em todo o mundo.

E vamos ainda mais longe. Quem viver verá!

(Texto apresentado na palestra de lançamento do livro "Propaganda - o caminho das pedras" - São Paulo 30.10.12

Síndrome da generalização

Acho que somos os campeões mundiais da generalização. Basta ver a quantidade de injustiças que cometemos com pessoas, empresas, produtos etc.  Em matéria de alimentação, por exemplo, alguém disse que chocolate engorda, que provoca erupção de pele e todo mundo assumiu isso como uma verdade universal e agora ninguém consegue desfazer o mal feito, e quem perde com isso é o país que tem um baixíssimo consumo de um produto essencial. Na política, alguém disse que político é tudo corrupto, é claro que por culpa de alguns.  Todos sabemos que não é bem assim, mas o que sai da boca do povo é que "não dá mais para acreditar nos políticos." Na religião, apareceram alguns padres pedófilos, mas certas pessoas entendem que todos os padres são pedófilos. E os pastores? Só porque alguns usam o dízimo dos seus inocentes fiéis para comprar fazendas, mansões e construir nababescos  patrimônios pessoais, não se pode afirmar que todos os pastores sejam ladrões  e que precisam “ser expulsos do templo”.
E por aí vai; uma dia alguém disse que o general Charles De Gaule teria afirmado: "efectivement le Brésil, n'est pa une nation serieuse", ou seja: efetivamente o Brasil não é uma nação séria. Em pouco tempo, virou  unanimidade os idiotas de sempre citarem  essa frase como sendo do grande estadista francês Chales De Gaule.  Ainda bem que toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues.  

A síndrome da generalização atingiu também o segmento da publicidade: meia dúzia de três ou quatro, cujos nomes são mais do que conhecidos, usaram e abusaram do setor, em função de seus interesses espúrios. No momento em que escrevo este texto, eles ainda não foram  punidos, mas  virou moda pessoas de todas as classes sociais - a começar por ministros, juizes, senadores, deputados, professores,  jornalistas e outros - acusarem gratuitamente a publicidade de  corruptora, corruptível e carente de seriedade.

Trabalho nessa atividade há muitos anos e tenho orgulho do que faço,  porque temos normas, temos um código de ética que nos orienta desde o início, e primamos por trabalhar dentro desses princípios, intrínsecos de todos os segmentos que se dão ao respeito.

Vamos parar de generalizar?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Homenagem Sinapro



Meus amigos,

O Sindicato das Agências de Propaganda do Estado da Bahia resolveu me homenagear pelos meus cinquenta e tantos anos trabalhando em publicidade, como se eu não tivesse feito mais do que minha obrigação pela minha atividade.

Mas eles fizeram uma bela homenagem e eu acabei recebendo mais do que merecia, inclusive deram um texto no qual falo dos meus sonhos de menino da Praia de Subaúma e da Praia do Forte, usando a frase “plantar meus sonhos”que não é de minha lavra, mas de um poeta desconhecido.

Então aproveito para corrigir a falha e dividir com o poeta, ainda que eu não saiba quem é, os méritos e os aplausos que o texto suscitou.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Propaganda: o caminho das pedras


Nesta terça-feira, 30/10, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, precedido de uma palestra sobre o futuro da propaganda, será lançado meu livro "Propaganda: o caminho das pedras".
Apareçam por lá!



Livro: "Propaganda: O Caminho das Pedras"
Autor: Humberto Mendes
Editora: nVersos (veja site aqui)
Páginas: 188
Preço: R$ 39,00


A arte de criar gafanhotos

Entrevista publicada em "Jornalirismo - Propaganda"


O publicitário Humberto Mendes está lançando o livro "Propaganda: O Caminho das Pedras" (Editora nVersos, 188 páginas, R$ 39,00). Como o título sugere, é uma tentativa de indicar bom caminho, de orientar, tanto técnica quanto eticamente, os jovens interessados em ingressar e evoluir na profissão de publicitário. 
Esses jovens o autor os chama de gafanhotos, como o Mestre Po, uma das personagens da série "Kung Fu", sucesso dos anos 1970, chamava seu pupilo, o monge Shaolin Kwai Chang Caine, vivido pelo ator David Carradine. 
Bagagem para ensinar a arte do ofício o autor tem de sobra: são mais de 50 anos de dedicação à propaganda. Humberto viveu a revolução criativa na propaganda brasileira, a partir do fim dos anos de 1950. Já atuou tanto em agências de propaganda quanto em veículos. Desde 2002, o publicitário é vice-presidente executivo da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), uma das principais entidades nacionais de classe. 
Em "Propaganda: O Caminho das Pedras", o autor aproveita sua experiência e faz uma retrospectiva da atividade publicitária no país, ao longo das décadas, compartilha lições de grandes mestres, como as de David Ogilvy, e muito do que aprendeu, na prática. A orelha do livro é do publicitário e jornalista Juvenal Azevedo, amigo de longa data do autor. "Um caminho que ambos percorremos embaixo de sacrifício e muita porrada para aprender em mais de 50 anos", recorda Humberto. 
Com palestra do autor, o lançamento de "Propaganda: O Caminho das Pedras" será no dia 30 de outubro, às 19h30, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, na rua Turiassu, 2.100, região oeste de São Paulo. 
Leia agora pequena entrevista com o publicitário: 
Jornalirismo — A propaganda é uma profissão que vale a pena? 
Humberto Mendes — Vale muito, porque nela aprendemos a dar valor a tantas coisas que nem imaginávamos que existissem, como liberdade de expressão comercial e de como, fazendo uso dessa liberdade, podemos indicar os melhores caminhos para as pessoas fazerem suas escolhas livremente. E isso vale para produtos, serviços e ideias. Vale para tudo. Vale a pena, porque não existe maior gerador de progresso e desenvolvimento do que a propaganda bem elaborada através de agências independentes, sem a influência de house agency [agência gerida pelo próprio anunciante], bureau de mídia [que cuida exclusivamente da compra de espaços publicitários, atividade que cabe, no Brasil, às agências de propaganda], mesas de compras [departamentos criados nas empresas anunciantes para realizar compras conjuntas de insumos e serviços, incluindo compras de trabalhos criativos, como filmes publicitários, muitas vezes baseadas fortemente em preço] e outras excrescências que alguns estão engendrando. Mas o que é bom nisso é que os anunciantes têm cada vez mais consciência disso, pois entendem definitivamente que, de todos os insumos que ele contrata e usa para encher os canais, desovar seus produtos para o consumidor e ampliar o valor de suas marcas, a propaganda é o mais importante e econômico deles. 
Jornalirismo — Como é que se torna um bom profissional de propaganda? O que é preciso fazer? 
Humberto Mendes — Ter, acima de tudo, humildade para dizer que não sabe e querer aprender. Como dizia Sócrates, não aquele do Corinthians, mas o outro [filósofo da Grécia], o maior erro que alguém pode cometer é pensar que sabe aquilo que não sabe. Entendo que é preciso ser perseverante, disciplinado, não colocar seu ego em primeiro lugar e ter consciência de que propaganda é tudo que a pessoa mais quer fazer na vida, entendendo com isso, que, se for montar uma agência sem a intenção de fazer um trabalho ético, sério e honesto, é melhor desistir e montar um negócio de exploração de lenocínio. Resumindo, todo aquele que quiser vencer na vida, trabalhando em propaganda, precisa ser profissional em tempo integral, "fultimemente" como o foram Caio Domingues, Renato Castelo Branco, Armando D'Almeida, Gerard Wilda e tantos outros que construíram essa grande avenida por onde caminhamos hoje. 
Jornalirismo — De tudo o que a vida te ensinou como profissional de propaganda, o que foi mais importante? 
Humberto Mendes — A profissão me ensinou que é preciso ter consciência de que temos de passar, para os mais os novos, todas aquelas boas coisas que aprendemos. Me ensinou que é possível fazer esse trabalho em alguns minutos, mesmo que tenhamos levado meio século e muita porrada para aprender. A vida me ensinou que são vocês, os mais novos, que vão tocar as coisas amanhã. A humanidade é uma só. Não existe preto, branco, amarelo, vermelho, é tudo ser humano e ninguém é melhor do que o outro.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

House agency e outras excrescências


House e agency são dois vocábulos absolutamente antagônicos e por isso não podem andar juntos. Para mim, house é aquele lugar para onde a gente volta no fim do dia, após encerrar o expediente na agency. Se house agency fosse um bom negócio, se tivesse a utilidade e eficiência que todos os que investem em propaganda esperam e precisam, a indústria de alimentação a automobilística, os bancos, os telefones já teriam montado as suas. Também outras de nossas grandes empresas não teriam desativado suas houses.
Um dos maiores inconvenientes de uma house agency é não ter com quem concorrer para disputar a conta do anunciante, que é também o dono da house, e isso torna seu trabalho muito burocrático, acomodado e eu ousaria dizer que até burro. A propaganda teve um grande mestre, se não o maior deles,  Caio Domingues, que defendia a ideia de que, para um anunciante que dispõe de vários produtos com marcas consolidadas,  uma boa estrutura de vendas para atender e trabalhar bem os canais e, é claro,  uma boa verba para anunciar,  o melhor a fazer é contratar duas ou mais agências. "Elas vão se matar" para mostrar quem faz o melhor trabalho. Isso pode garantir àquele que paga a conta, o cliente, a certeza de que não receberá trabalhos medíocres de nenhuma das agências que lhe atendem.
No  tempo em trabalhei em  veículo, vi muitas experiências com house agency não darem certo, e o mais grave é que a culpa pelos maus resultados recaía sempre nas costas da publicidade e não nas de um empresário míope que, para ficar com uns trocados de 20%, se metia numa seara da qual não tinha o menor conhecimento, ou seja: montava uma sala dentro da empresa, registrava como agência na junta comercial , colocava um sobrinho da esposa, que acabara de se formar e já achava que tinha uma house agency; e aí tome maus resultados de uma propaganda medíocre...
Quanto às outras excrescências, como bureaux de mídia e mesas de compra que alguns estão engendrando por aí, posso garantir que são absolutamente dispensáveis, na medida  em que a estrutura de mídia, planejamento, pesquisa e outros setores afins de nossas agências em todo o país é suficientemente bem preparada para não precisar desse tipo de parceiro ou apoio, o nome que quiserem dar.  Hoje a  mídia interage com alta tecnologia na pesquisa, na criação, no atendimento, no planejamento e em todas as ações da agência  junto ao cliente. Pergunto: por que uma boa  agência vai colocar, para participar de uma mesma ação, um corpo estranho a seus quadros? Vi um caso que exemplifica bem o problema: tinha um desses bureaux em formação (felizmente não passou do embrião) que,  por uma imposição do cliente, a agência acabou engolindo goela adentro. Seu executivo, de posse de todas as informações contidas no job, levou a conta para uma "agência" com quem estava mancomunado. Uma safadeza que, para se realizar, precisa contar com safados de todos os lados.
Isso pode  pode acontecer em qualquer setor da economia e na publicidade não é diferente.
(publicado em Propaganda & Marketing, em 9 de julho de 2012).

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O grande legado do V Congresso



Não vamos falar de todas, ou de cada uma das comissões ou painéis que fizeram o sucesso do V Congresso, porque temas como o futuro da profissão, mercado global, marca Brasil, comunicação e crescimento econômico, liberdade de expressão e democracia, personalização, privacidade, as novas fronteiras da mídia, sustentabilidade e comunicação, internacionalização da propaganda brasileira,  a palavra do consumidor, propriedade intelectual, legislação e ética, criatividade e sucesso, novos caminhos para criar marcas, regionalização, grandes eventos, desafios e oportunidades, assuntos brilhantemente tratados  nas Comissões do V Congresso,  já foram ou estão sendo esgotados por toda a mídia, não só nacional mas também internacional.
Certamente a Comissão Organizadora do Congresso, comandada  por Luiz Lara, enviará para todos, brevemente,  os anais do V Congresso com vasto material contando tudo o que aconteceu... 
Por isso resolvemos falar de uma  figura internacional, que nunca trabalhou em agência, em veículo e muito menos em  anunciante, logo nunca foi um publicitário. Mas nunca deixou de ser um dos nossos, já que vive comunicação o tempo todo.  Não é à toa  que ele está no nosso V Congresso.
Trata-se do arcebispo Desmond Mpilo Tutu, cuja apresentação no Congresso nos legou uma verdadeira lição de democracia. Muito mais do que um  sacerdote sul-africano, um homem do mundo, Tutu sempre foi um dos mais destacados defensores dos injustiçados como Nelson Mandela e tantos outros. Mestre Tutu conquistou o respeito de toda a humanidade porque lutou até a vitória final contra o “apartheid”. É um dos mais brilhantes líderes mundiais e defensor intransigente da liberdade de expressão e democracia. Sua lição vai ficar gravada nos corações e mentes dos mais de 1.300 delegados de todos os segmentos de mercado que marcaram sua presença nos dias 28, 29 e 30 de maio, no V Congresso da Indústria da Comunicação. A lição de velho “Prêmio Nobel da Paz” é uma daquelas coisas que ninguém vai esquecer.

(publicado nos jornais: Jornal do Comércio, Diário de Pernambuco e outros jornais do estado)

domingo, 17 de junho de 2012

Resultados concretos para anunciantes, agências, veículos e consumidores


Entrevista publicada no Anuário de agências de publicidade do Rio Grande do Sul em Setembro de 2011.

 “Estamos constantemente em contato com as diferentes realidades regionais que existem  nesse imenso Brasil, e é por isso que defendemos tanto a valorização dos mercados regionais, como fator de aceleração e crescimento do país, e as agências locais têm muito a contribuir, pois conhecem como ninguém as particularidades de cada região”.

Humberto Mendes, Vice Presidente Executivo da FENAPRO, analisa aqui a atuação da entidade e sua verdadeira contribuição ao setor.

Qual a principal bandeira da FENAPRO?
 A principal bandeira da FENAPRO é a valorização, o crescimento e o desenvolvimento da atividade publicitária brasileira em todas as regiões do País.

 A FENAPRO opera em 26 Estados e no Distrito Federal do país. Como consegue atuar preservando homogeneidade em culturas tão diversas, comparativamente ao norte e ao sul do país, por exemplo?
 A FENAPRO, por ser entidade sindical de grau superior, representa a atividade econômica publicitária em todo o país, através dos sindicatos estaduais e diretamente nos estados onde ainda não exista um SINAPRO.
 A questão da diversidade de culturas em todos os quadrantes do país é muito bem entendida pela entidade, estamos constantemente em contato com as diferentes realidades regionais que existem nesse imenso Brasil e é por isso que defendemos tanto a valorização dos mercados regionais, como fator de aceleração e crescimento do país, e as agências locais têm muito a contribuir, pois conhecem como ninguém as particularidades de cada região. Frequentemente estamos nos reunindo com todas as lideranças regionais da publicidade em seus próprios mercados de atuação e como até hoje não inventaram alguma coisa mais eficaz do que a Internet, mantemos contato permanente com esses nossos pares.

 Como a FENAPRO vê e analisa a qualidade da propaganda produzida em terras brasileiras?
 Sem dúvida que a qualidade da propaganda brasileira é excelente, haja vista os inúmeros prêmios internacionais que recebemos.
  Acontece que existe um Brasil enorme com suas particularidades e que está produzindo valiosas campanhas publicitárias, e constantemente vem se aperfeiçoando, apesar de muitas vezes trabalhar com parcos recursos, e mesmo assim consegue extrair excelentes ideias, produzindo propaganda de boa qualidade.

 Quanto à ética profissional, o país está em que condição, comparativamente ao primeiro mundo?
 Neste sentido estamos bastante adiantados e até em condições melhores, porque entendemos que o respeito à ética em qualquer atividade humana não deveria ser visto como uma simples questão de respeito às leis, mas acima de tudo um dever de consciência de cada um. Na propaganda fazemos questão fechada de lutar o tempo todo em defesa desse princípio. Um dos trabalhos que a FENAPRO realiza com frequência é o de disseminar o respeito ao ofício de publicitário e a cultura da ética profissional junto aos estudantes de comunicação, através de palestras e seminários em todo o Brasil.

 Existe respeito às normas que proíbem certos tipos de publicidade?
 Nesse quesito temos o melhor mecanismo de autorregulação no setor que é o CONAR.

 Fora dos Grandes centros, como as agências se posicionam?
 A FENAPRO tem como objetivo maior disseminar a valorização profissional das agências e seus profissionais em todos os mercados, de norte a sul do país. Um trabalho que vem sendo realizado com muito sucesso há mais de 03 anos e, podemos afirmar que o posicionamento de uma agência de propaganda, não importa se pequena, média ou grande, e nem a unidade da federação onde esteja instalada, hoje é o mesmo posicionamento, porque entendemos que propaganda é um negócio de resultados concretos para o anunciante, para agência, para os veículos e para o consumidor que recebe uma informação bem elaborada e com qualidade suficiente para ajudá-lo em suas escolhas.

 O que falta e o que sobra ao analisarmos o perfil dos nossos profissionais como dirigentes de agências?
 Falta um pouco mais de consciência do grande valor que tem o seu trabalho como dirigente de um setor que gera progresso, em todos os sentidos, e o que sobra é a necessidade de se entender como multiplicador de todos os valores empregados no seu trabalho.

  Quais os planos de crescimento da FENAPRO em expansão e proposta de atuação?
A FENAPRO entende que deve continuar trabalhando duro na defesa de todos os princípios elencados neste texto. Entende também que é fundamental a soma de esforços entre os profissionais de propaganda, as empresas e as entidades setoriais na busca permanente do aprimoramento e reconhecimento dos valores que a atividade tem de sobra.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Meu quinto Congresso


No primeiro, em 1957, eu era um garoto iniciando na atividade da publicidade e, de lá para cá, virei publicitário de corpo e alma e nunca deixei de estar presente no grande evento.
Mesmo sendo considerado um irrecuperável quixotesco por alguns dos nossos parceiros, sempre achei que a publicidade deveria ser um negócio de resultados concretos para os anunciantes, para os veículos, para  o consumidor e para si mesma como atividade.
Os Congressos muito têm colaborado para eu continuar acreditando nessa assertiva, e o V Congresso, realizado nos dias 28,29 e 30 de maio de 201,2 não foi diferente. Vejamos;

Primeiro, o  anunciante, que pode estar consciente de que as agências são  empresas sérias,  inteligentes e com linguagem moderna e atualizada o suficiente para  ajudá-lo, em qualquer parte do território nacional, não só a desovar seus produtos, mas também e principalmente, a valorizar suas marcas e conquistar a preferência e fidelidade do consumidor.
Segundo, os veículos que encontram no insumo publicidade o melhor complemento para sua existência como multiplicador de uma informação comercial confiável, e muitas vezes até melhor que a informação editorial, já que é estribada em pesquisas e estudos aprofundados do comportamento humano.
Terceiro, o consumidor, que hoje já recebe uma informação baseada  em dados de planejamento e  pesquisas, e não é tratado  como massa de manobra, o que lhe permite interagir mais de perto com anunciantes e produtos e,  assim, ter respeitados os seus direitos de cidadão.
Quarto e último,  a própria publicidade, que a cada dia se liberta mais da mediocridade de maus profissionais e aventureiros que muito colaboraram para que nossa profissão  fosse vista como uma atividade carente de seriedade  a ponto de se tornar a "bola da vez ou bode expiatório" daqueles (não preciso citar nomes) que não têm capacidade de eliminar, nem mesmo de minimizar o tamanho de sua hipocrisia.
Participei atentamente de quatro comissões do V Congresso, e seu conteúdo me deu a ampla certeza de que a publicidade brasileira continua, como sempre, no rumo certo.
Até o VI Congresso, se eu ainda estiver por aqui pela esfera terrestre.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O que esperar do V Congresso?

Em texto recente, teci comentários sobre o esforço dos publicitários e agências para realizar o 1º o 2º, o 3º e o 4º Congressos Brasileiros de Publicidade, e de como os ótimos resultados desses eventos - Lei 4.680, o Código de Ética dos Profissionais de Propaganda, as Normas Padrão para o Funcionamento das Agências de Publicidade, a valorização do ensino da propaganda e marketing, o incremento das pesquisas e estudos mercadológicos de Ibope, Marplan e outros institutos especializados, a criação do IVC, do Conar e outros instrumentos técnicos e legais - colaboraram para o desenvolvimento das agências e da valorização dos seus profissionais, colocando nossa atividade no topo de uma pirâmide onde só participam as mais talentosas e criativas propagandas de todo o mundo.
Tudo isso só foi possível porque os Congressos, principalmente os primeiros, tinham como objetivo principal implementar definitivamente a atividade da propaganda no Brasil, e o fizeram, com muito sucesso, tanto que atualmente a atividade produz, em todo o território nacional, propaganda com a mesma qualidade de qualquer centro do chamado primeiro mundo. É justo que também se diga que o sucesso se deve, inclusive, ao trabalho incansável da Fenapro e dos Sinapros com o apoio da Abap e seus capítulos. Essas entidades do setor nunca descuidaram do compromisso de valorizar regionalmente as agências e a propaganda como um todo.
E vem aí o próximo Congresso, para tratar de temas nunca antes discutidos, ou pouco discutidos. Entre eles a internacionalização das nossas empresas, e o que fazer para colocar nosso talento e competência nos mercados internacionais; crescimento econômico, o desenvolvimento humano e seus entraves, como burocracia, corrupção etc; personificação da comunicação através da tecnologia; a sustentabilidade - como e onde aplicar adequadamente esse termo tão em moda; a fragmentação da mídia e redefinição da mesma, em função das novas alternativas que aparecem a todo instante; o futuro da profissão: como as principais escolas mundiais estão preparando os futuros profissionais, a opinião de professores das escolas globais de comunicação, o estágio atual da educação no Brasil , etc etc...
Voltando ao início do nosso texto, o que esperar do Congresso, eu gostaria de comentar apenas uma das comissões, a de nº 1, O Futuro da Profissão, porque com ela eu tenho mais afinidade, uma vez que é onde dedico o maior volume de atuação de minha vida profissional nos últimos 20 anos. Não me canso de “vender” para os estudantes em faculdades de todo o Brasil o quanto é importante chegar no mercado de trabalho minimamente preparados para entender o que esse exigente mercado vai lhes cobrar amanhã. E por que devem assumir, desde já, responsabilidades com a ética, com o respeito ao ofício que escolheram, e a ter consciência de que para dar certo em propaganda, é fundamental ser profissional em tempo integral, “fulltimemente” , como costumo dizer, para me expressar de uma forma mais coloquial.
Espero que neste painel seja possível tratar o tema "futuro da profissão", levando em conta alguns dos aspectos citados acima, porque, de uma forma ou de outra, eles expressam as necessidades e os anseios de quem está hoje num banco da escola se preparando para entrar na propaganda.
Por outro lado, tomo a liberdade de lembrar, ainda que pareça quixotesco de minha parte, que nós, os profissionais que atuamos no setor, não devemos esquecer que ontem também estivemos naquele banco de escola, sonhando com uma oportunidade de entrar no mercado, e por isso temos como dever de ofício colaborar com a formação de nossos jovens.

E nós sabemos melhor do que ninguém como fazer isso.

Publicado no jornal Propaganda & Marketing 9 de abril de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

O que um anúncio pode fazer pelo ser humano

Recebi este material de uma amiga, e como ele nos mostra uma ação de propaganda e nos convoca a todos para uma inteligente reflexão, tomo a liberdade de colocar no meu blog, aproveitando para chamar você a refletir também. Infelizmente não sei quem é o autor desta maravilha.

Humberto Mendes

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"O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
-- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Será que o senhor poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e margeantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
-- Nem penso mais nisso, disse o homem, quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!"


Às vezes, não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe, atrás de miragens e falsos tesouros. Valorize o que você tem, a pessoa que está ao seu lado, os amigos que estão perto de você, o seu trabalho, o conhecimento que você adquiriu, a sua saúde, o sorriso, o amor, enfim, tudo aquilo que a vida lhe ajudou a conquistar.
Não é preciso esperar que um anúncio lhe mostre tudo isso.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Publicidade infantil, o que é isso?

Estamos em 15 de março de 2012, e muito se fala atualmente sobre responsabilidade pelos "males" da chamada publicidade infantil.
Claro que somos todos responsáveis. Mas até onde vai nossa responsabilidade? Como publicitário, entendo que temos que ser responsáveis, primeiro por acabar com essa ingenuidade de tratar esse assunto como publicidade infantil, porque não existe publicidade infantil, como não existe publicidade adolescente, publicidade adulta, publicidade geriátrica etc. O que existe é publicidade, uma arte elaborada geralmente por pessoas adultas, com a intenção precípua de atingir, como neste caso, mães, pais, padrinhos, madrinhas, tios, avós etc. Esse sim, é o publico alvo. O consumidor de publicidade. Porque são eles e elas que compram os brinquedos, alimentos, roupas, guloseimas e tudo o que é consumido pela criança.
Definitivamente, criança não não produz e não consome publicidade.
Então, voltando ao assunto, precisamos entender - e entendemos - que a responsabilidade por educar nossas crianças é de mães, pais e da família como um todo, enquanto que a de ensinar a ler, escrever e contar é tarefa da escola.
Virou moda em nosso país atribuir a culpa de tudo à publicidade quando a grande culpada pelos desvios de conduta da nossa população de todas as idades é a fraca educação que recebemos em nossas escolas, por falta de incentivo do Estado, desde o tempo da capitanias hereditárias. Pergunto ao amigo leitor, um adulto que estudou ontem: na sua escola alguém deu aulas e orientou sobre os males da maconha, da bebida, do cigarro, da mentira, da inveja, do ódio, da vingança da preguiça, do medo, da gula e tantos outros que assolam a nossa população de todas as idades? Tenho receio de que temas dessa importância ainda não façam parte das grades curriculares do ensino, porque poucos têm coragem de abordar o assunto.
Só como um lembrete: na antiga União Soviética, por pura hipocrisia de seus burocratas, era proibido fazer anúncios de bebidas alcoólicas, no entanto, não era obrigatório ensinar e orientar, nas escolas de todos os níveis, sobre os males desses vícios que geralmente começam cedo. Isso porque o Estado jamais concordou em abrir mão das polpudas somas de impostos arrecadados em cada gole de vodka. Todos sabemos que os russos sempre beberam, e bebem muito. O que prova que proibir a publicidade por lá não adiantou, e prova também que proibir, na maioria dos casos, é pura hipocrisia, e é também a melhor forma de esconder as falhas do Estado embaixo do tapete.
E assim, morrendo de preocuopação eu pergunto: será que não estamos enveredando pelo mesmo caminho?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

1º de fevereiro – Dia do Publicitário...

Esta é, também, uma excelente oportunidade para uma reflexão sobre o que andamos fazendo com a nossa profissão. Peço desculpas aos amigos, por colocar algumas perguntas que não querem calar, pois que me perseguem há mais de 50 anos e que, por insistir em lutar por elas, acabo sendo chamado de um velho e quixotesco publicitário. Não me incomoda muito ser confundido com a grande figura da obra de D. Miguel de Cervantes, o célebre D.Quixote de La Mancha, um cara que acreditava honestamente naquilo tudo por que lutava. Acho que é por isso que continuo acreditando que é preciso continuar lutando, sim, enquanto estiver por aqui.
Um abraço
Humberto Mendes

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1 - Temos tratado com ética, respeito, amor e seriedade o nosso oficio de publicitário?

2 - Temos mantido uma relação de dignidade ou de subserviência com os clientes, com os veículos, com os fornecedores, com as entidades?

3 - Temos lutado pela preservação dos valores éticos, morais e profissionais da nossa atividade?

4 – Temos formado novos e bons profissionais para “tocar” nossa atividade no futuro? Isso envolve outra pergunta: como temos respondido a cada convite que recebemos de estudantes para uma palestra em sua faculdade? É bom não esquecer que quase todos fomos estudantes, estagiários e, como os jovens de hoje, um dia corremos atrás do futuro.

5 - Temos procurado estabelecer limites mínimos para o que criamos envolvendo a verdade, o respeito à nossa língua, o bom gosto, o respeito ao ser humano?

Vale lembrar, por exemplo, que a mulher não é um objeto de uso qualquer para ter sua imagem vilipendiada por certas propagandas de bebidas e outros produtos, isso pra não falar no péssimo tratamento que se dá às crianças, aos animais, à família e, no desrespeito aos direitos de todos, porque toda vez que a propaganda é tratada como se fosse brincadeira, perde o anunciante que tem seu produto colocado numa vala comum, perde o consumidor que é encarado como um idiota, que aceita qualquer porcaria, e, finalmente, perde a propaganda, que acaba absorvendo para si a pecha de atividade carente de seriedade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Regionalização é a melhor alternativa para o crescimento do Brasil

O II Fórum Mercados Brasileiros, realizado pela ABA - Assoc. Brasileira de Anunciantes e FENAPRO - Fed. Nacional das Agências de Propaganda, dia 27 de setembro, no Hotel Grand Hyeat, São Paulo, fez jus ao seu tema central, "País rico é país eegionalizado".

Um grande público, formado basicamente por profissionais de agências de publicidade e anunciantes de todo o país, participou e interagiu ativamente em palestras, como "O potencial econômico do mercado de consumo com a ascenção de uma nova classe social", um tema muito bem conduzido por Antonio Carlos Ruotulo, do IBOPE, e Mario Ruggiero, da Nielsen. Outro painel de muito sucesso foi "Uma análise do Brasil por região", apresentado por Juan Maresca, do Centro de Inteligência da Comunicação. A parte da manhã foi completada por uma brilhante apresentação de Stephen Kanitz, "A importância dos mercados regionais para o crescimento do Brasil". Kanitz nos mostrou como o Brasil cresceu ao longo dos anos de forma acelerada, mas só e basicamente em determinadas regiões, enfatizando que a saída para o país é crescer em todos os quadrantes. Trouxe também exemplos comparativos do Brasil com os chamadoss países emergentes, como China, Índia etc., deixando a mensagem de que está mais do que na hora de o Brasil passar para uma faixa acima dessa, a dos emergentes.

Na parte da tarde, Luiz Lotito, da Coca Cola, falou sobre "Estratégias de atuação regional das marcas nacionais e globais". Roberto Bocorny Messias, secretário de comunicação integrada da SECOM, e o Dep. Andre Vargas comentaram como está se processando a regionalização das verbas federais para a publicidade. O evento foi encerrado com a palestra de Saint'Clair Milesi, da FIFA/CBF, e Luiz Carlos Brunoro, especialista em marketing esportivo, tecendo comentários sobre a importância dos mercados regionais para o sucesso da Copa do Mundo no Brasil.

Amigos, quando olhamos atentamente para todos os problemas da região sudeste,como por exemplo: o assombroso emplacamento de milhares de carros por dia, como a super população, como as dificuldades de atendimento na saúde, educação, segurança e tantos outros problemas que inviabilizam as possibilidades de crescimento da região, que infelizmente parece não ter mais para onde crescer, temos que concordar que a alternativa mais acertada para o desenvolvimento do país, está no crescimento dos mercados regionais.
Eventos como o II Fórum Mercados Brasileiros deixam bem claro, para todos nós, que é preciso tratar essa questão da regionalização com mais seriedade e profissionalismo, ou então, do jeito que as coisas caminham, podemos "perder o bonde da história", como se dizia antigamente.

Quem viver verá.


Publicada no Jornal do Comércio, Diário do Pernambuco e outros - out 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Parceria Assassinada

27 de agosto de 2011. Ainda que este seja meu último texto em defesa da minha atividade, a publicidade, insisto em falar sobre a fragilizada relação agência-veículo.
De todos os acordos, relacionamentos, ajustes, convenções e tratados, essa foi uma das parcerias mais inteligentes criadas pelos homens de negócios. Inteligente e extremamente útil, porque beneficiou todos os envolvidos. Vejamos por que: até meados do século18, os meios de comunicação eram basicamente os jornais, que não passavam de pequenos volantes impressos frente e verso, circulando semanalmente em várias cidades da Europa e América do Norte.
As populações foram crescendo, se aculturando e aumentando sua necessidade de consumo. Simultaneamente, crescia também o comércio atacadista e varejista em grandes proporções. Esses varejistas descobriram naqueles pequenos meios de comunicação, os jornais, uma importante ferramenta para incrementar suas vendas e fixar fortemente a imagem de marca de produtos e de seus estabelecimentos comerciais, na mente, no gosto e na preferência do consumidor.
Foi um trabalho de grande envergadura realizado pelos jornais, e pelos chamados corretores de anúncios, que eram os responsáveis por angariar as mensagens comerciais, montar aquilo que chamavam de reclames e publicar nos meios de comunicação, os jornais. Estes, por sua vez, emitiam uma fatura contra os anunciantes e pagavam aos corretores um honorário que, acredito, já era algo em torno de 20% sobre o preço bruto do reclame. E tinha que ser assim, porque os corretores, além da falta de crédito, não tinham, como ainda hoje não têm, um mínimo de estrutura para criar, produzir, cobrar e receber por um serviço tão específico e complexo como é a publicidade.
Essa parceria nasceu assim. Funcionou muito bem, mas era pouco para atender ao crescimento, ao desenvolvimento intelectual e ao aumento natural do consumo das populações. Em outras palavras, havia a necessidade iminente de melhorar a qualidade técnica, para que os jornais e a publicidade (os reclames) aumentassem a eficácia da comunicação oferecida ao público leitor.
Foi então que em 1841, na Filadelfia (USA), um corretor de anúncios, Volney B. Palmer, se organizou para oferecer a seus clientes (anunciantes) vários jornais de cidades diferentes, muitas vezes no mesmo dia, principalmente, reclames bem elaborados e, acima de tudo, organizados. Estava nascendo aí o embrião de uma agência de publicidade. A forma de cobrança também foi alterada, porque agora a coisa era diferente: a agência organizada administrativamente e com credibilidade emitia uma fatura de 100% contra o anunciante, pagava os 80% do jornal e retinha seu honorário. E assim durou até os nossos dias. Outros corretores tomaram o mesmo rumo e, a partir daí, consolidou-se a grande parceria veículo-agência. Quem mais ganhou com isso foram os anunciantes, que passaram a contar com um trabalho inteligente, criterioso e, mais do que isso, vendedor. Os meios de comunicação também ganharam muito, usando os serviços de qualidade técnica e criativa da nova parceira, a agência de publicidade. O volume de espaço veiculado através da agência aumentou tanto que os veículos chegaram mesmo a formar grandes redes de meios de comunicação. Elas estão aí, espalhadas pelo mundo para quem quiser ver. É indiscutível que as agências também ganharam e todo o sucesso dessa parceria veículo-agência só foi possível porque ambos sempre tiveram consciência de que são o grande insumo que os anunciantes contratavam e continuam contratando para alcançar seus objetivos de vendas, valorização de marcas, share of mind etc. etc. e etcétera Tudo isso funcionou muito bem, porque sempre houve, repito, consciência de parceria, respeito mútuo e confiança, tanto que desde o início, o sistema de cobrança e pagamentos é o mesmo iniciado por Volney Palmer em 1841.
Hoje, exatos 170 anos depois do Sr. Palmer, para infelicidade geral, surge uma proposta diferente de tudo que foi combinado e que funcionou tão bem até aqui, porque a relação de confiança que sempre existiu entre agência e anunciante parece não valer mais nada, não por culpa da agência, e muito menos do anunciante, como também parece ter acabado a relação veículo agência, porque os veículos propõem emitir os valores líquidos contra o anunciante, e as agências que se virem para receber seus honorários. Felizmente nem todos os anunciantes são desonestos a ponto de se recusarem a pagar na íntegra os honorários da agência. É o que espero. Mas infelizmente, com essa medida, a boa e honesta parceria que sempre pautou os negócios do tripé agência-veículo-anunciante já não é mais a mesma. Tanto que nas discussões em torno desse famigerado tema, já vimos até advogados propondo criar um absurdo com o nome de agência corretora, num total desrespeito a uma atividade que levou mais de 170 anos para adquirir sua própria personalidade.
Do jeito que a coisa está andando, quem viver verá a nossa atividade voltar ao tempo dos corretores de reclames. Isso é definitivamente o assassinato de uma parceria que sempre deu certo e funcionou brilhantemente para todos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quem pensa que pode monitorar nossas vidas?

Quanto mais vemos a ingerência de entidades como a Anvisa, quanto mais vemos juntar-se a ela o Instituto Alana e agora um novo instituto chamado Coletivo Brasil de Comunicação Social e outros órgãos, oficiais ou não, mais nos assusta pensar nos rumos que pode tomar a censura em nosso país, com a castração da liberdade de expressão editorial e comercial.
Preocupa-nos a possibilidade, que Deus nos livre e guarde, de voltarmos aos Anos de Chumbo, de tão triste memória.
Quanto mais vemos as ações dessas entidades atribuindo à propaganda a culpa pelos males do mundo, mais chegamos à triste conclusão de que a educação em nosso país corre o sério risco de jamais melhorar, porque nas nossas escolas nunca existiu, como não existe até hoje, uma preocupação específica e permanente de ensinar às nossas crianças temas inteligentes em torno dos efeitos maléficos de drogas como cigarro, bebida, crack, cocaína, maconha e vícios como a gula, a mentira, a falta de respeito ao próximo, principalmente aos pais e professores.
É preciso coibir toda essa ingerência. Caso contrário, amanhã ninguém poderá levar uma criança menor de 12 anos ao supermercado, ao shopping ou a uma lanchonete, porque o material de ponto de venda desses lugares exibe fotografias de alimentos como sorvetes, sanduíches e de tantos outros produtos que as crianças tanto adoram.
Os que pensam em monitorar a vida das pessoas certamente não se preocupam nem um pouquinho com o futuro dos monitorados, a menos que queiram formar gerações de autômatos, seres incapazes de fazer suas próprias escolhas.
Definitivamente, não é isso o que queremos para o nosso futuro. E insistir em demonizar a nossa propaganda, que é séria e responsável, isso não.

Publicado no Jornal do Comercio do Recife, Diario da Pernambuco e outros jornais do Estado do Pernambuco no dia 2 de agosto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Publicidade: agência ou corretor?

Todas as boas coisas da vida têm princípio, meio e fim. Geralmente o princípio é muito difícil: tem todo um custo do pioneirismo, além de um estafante trabalho de desbravamento e implantação do projeto. O meio é menos trabalhoso, porque o mais duro já foi realizado na etapa anterior, e o fim é o projeto finalizado e gerando os resultados esperados, além do muito que ele ainda vai produzir, em termos de progresso e bons resultados.

Com os negócios não é diferente. Escolhemos por exemplo, a mídia e publicidade para fazer este comentário.

Mídia - Os jornais, no princípio, não passavam de um simples volante, impresso de um só lado e composto à moda de Gutemberg: os tipos eram colocados organizadamente num instrumento chamado componedor, onde um pioneiro, o tipógrafo (no mundo existiam poucos profissionais nessa área), num trabalho criterioso e demoradíssimo, compunha as palavras e as frases. E à medida que uma linha ficava pronta era passada para a rama, um tipo de caixilho de ferro; posteriormente, todos aqueles tipos eram amarrados, prensados e bem calçados para não caírem, quando se levantasse a rama; em seguida, aquela obra de arte com cara de geringonça, recebia uma camada de tinta através de um rolo emborrachado. Estava pronto o jornal, só faltava imprimir no velho e bom prelo, também do tempo de Gutemberg.
O jornal, ou essa simples folha de papel, era avidamente disputada pelos leitores em todos os pontos da cidade. Era o milagre da informação atingindo a todos, na mesma hora.
Um ótimo começo. As tiragens, geralmente pequenas em razão das dificuldades técnicas, se esgotavam rapidamente. O interesse pela publicação aumentava e, consequentemente, a quantidade de exemplares crescia - e como crescia -, para atender esse interesse de um público cada vez maior. E tome mais papel, mais tinta, mais mão de obra de tipógrafos, mais tempo de prelo e mais gente para distribuir. Aumentavam, dessa forma, os gastos de cada edição e a venda avulsa, por maior que fosse, não era suficiente para cobrir os novos e altos custos com a produção do novo e revolucionário meio de comunicação, tão fundamental para a formação e informação daqueles que sabiam ler e que já eram muitos.

Publicidade - Os donos de jornais e os comerciantes resolveram os problemas de custos, ao perceberem que o novo meio de comunicação era uma grande oportunidade e ferramenta de trabalho, para ampliar o conhecimento sobre as lojas, as marcas e vender mais produtos e serviços, através da publicação de avisos comerciais, os chamados reclames e, é claro, aumentar o tilintar de suas máquinas registradoras.
Nascia, assim, a publicidade, mais ou menos organizada e a partir daí, começava-se a substituir o empirismo daquele propagandista que andava de cima pra baixo, pelas ruas da cidade apregoando aos circunstantes, que a loja do sr.fulano de tal, tinha esse e aquele produto para venda, pela melhor oferta.

Os reclames em número cada vez mais crescente, mas de uma forma desorganizada, suscitaram o surgimento dos corretores de jornal e, com o trabalho desses quase publicitários, os jornais cresciam, aumentando o número de páginas ao mesmo tempo em que a revolução industrial gerava novos equipamentos para todas as atividades e, é claro, também para a indústria gráfica. O varejo, cada vez mais dinâmico, exigia dos corretores mais competência, talento, bom gosto, educação e muitas outras qualidades para se produzir bons reclames e também ousadia para colocá-los em mais de um jornal da cidade e - por que não - também das cidades mais próximas. Prestava o melhor serviço e faturava mais e melhor aquele corretor que trabalhasse com a maior lista de jornais e, como não podia deixar de ser, a concorrência entre eles era uma guerra sem quartel, até que em 1841 um desses abnegados profissionais de comunicação, Volney B. Palmer, se estabeleceu na cidade de Filadelfia - USA, para fazer o trabalho de angariar os avisos e encaminhar aos jornais os textos que estes transformavam em reclames, e os publicavam nas próximas edições. É muito justo que se diga que o trabalho de Palmer já era praticamente o embrião de uma agência de publicidade, pois que ele vendia os espaços, organizava os reclames nas frequências combinadas, selecionava os jornais, já de acordo com o público leitor, determinava os tamanhos e os preços conforme as tabelas de cada jornal. O jornal, por sua vez, cobrava dos anunciantes e repassava a comissão para os corretores. Essa foi a primeira forma de relacionamento entre o veículo e o corretor. Funcionava bem, atendendo aos interesses de ambos, pois ninguém perdia, só que os reclames não tinham a qualidade que os anunciantes necessitavam.

Foi assim que já semi-organizada, a publicidade chegou ao Brasil. Mas ainda, por muito tempo, prevaleceu entre nós uma espécie de império dos corretores, e a guerra entre eles não acabou, pelo contrário, recrudesceu, pois aqui no Brasil tinha o clima ideal para a instalação de todas as desavenças, possíveis e imagináveis. O crescimento do nosso parque industrial, com a vinda de grandes empresas estrangeiras e a formação de um comércio promissor, não aceitava mais trabalhar com o amadorismo individual dos corretores que tiveram de se organizar numa estrutura capaz de prestar um trabalho compatível com o desenvolvimento do país, dos negócios e dos próprios consumidores. Estava dada a partida para a atividade de agência de publicidade no Brasil.
E então, já no século passado, ali pelos anos 1920/30, o Brasil já começava a ter boa estrutura de agências de publicidade, produzindo um trabalho com a qualidade que os meios de comunicação e o mercado anunciante tanto precisavam. Isso foi de fundamental importância para desafogar os anunciantes, os jornais e outros meios, que se independeram da limitação dos chamados contatos diretos e corretores individuais. Mais do que isso, com as agências, a publicidade se revelou um negócio dos mais prósperos não só para elas, mas também - e principalmente - para os anunciantes e veículos, que passaram a contar com uma parceria organizada não só profissionalmente, mas em todos os outros aspectos. Isso colaborou enormemente para a criação de uma grande indústria de fornecedores de insumos básicos, como serviços gráficos, pesquisas e estudos mercadológicos e, principalmente, para a formação de uma grande e invejável malha de meios de comunicação, como a que temos hoje no Brasil, igual e até melhor que noutros países mais adiantados.

O grande deslanche da publicidade, dos veículos e dos anunciantes em nosso país, começou no fim dos anos 1930/40 e um fator que muito ajudou a alavancar esse deslanche foi o tipo de remuneração da agência de publicidade. O veículo pagava um honorário de 20% pelo seu trabalho de desenvolver o mercado anunciante, criar todas as peças para veiculação, cobrar os valores de inserções e acompanhar passo a passo cada anúncio até a entrada deste no veículo. A agência, responsável pelo recebimento dos valores, cobrava 100% do anunciante, pagava 80% para o veículo, devolvia os 20% para o mesmo anunciante, cobrando deste um percentual de 17,65% sobre os valores líquidos veiculados. Cobravam também, é claro, um honorário de 15% sobre valores de produção em cima das notas fiscais de fotolitos, clichês, estéreos, impressos e outros materiais. Posteriormente, passamos a reter integralmente os 20% sem cobrar os 17,65% do anunciante. Tudo isso funcionava de acordo com a Lei 4.680, até quando resolveram desregulamentar a profissão, criando novas normas, novas tabelas de cobrança e, a partir daí, o negócio da publicidade se transformou num verdadeiro mercado persa, onde, com raríssimas exceções, vence aquele que conceder mais descontos, vantagens e benefícios, enfim aquele que tiver mais capacidade e vocação para a prática da autofagia.

Hoje, em pleno iniício do século 21, os veículos parecem ter perdido a confiança que sempre pautou suas relações com as agências e, ao que tudo indica, as regras de remuneração vão mudar: o veículo pretende cobrar diretamente do cliente o equivalente a 80% do valor veiculado e a agência que se vire para receber os seus 20%. O que significa que o honorário de agência vai deixar de ser pago pelo veículo conforme estabelece a Lei 4.680. Ora, conhecendo como conhecemos certos anunciantes, já podemos antecipar que vão querer negociar os honorários; outros, quando pagarem, vão querer calcular os seus 20% em cima do valor líquido cobrado anteriormente, ou seja: um anúncio cujo custo bruto de tabela é 10,0, o cliente pagando 8,0 diretamente para o veiculo, não há de querer pagar o honorário de 20% de agência sobre os 10,0 iniciais, mas sobre os 8,0 líquidos, o que não é 2,0 mas 1,6. Uma outra alternativa que está sendo aventada como salvação da lavoura é o veiculo cobrar o valor total da veiculação e, após receber do cliente, devolver os 20% de honorários da agência já deduzindo os impostos. Felizmente esse racicínio sobre os anunciantes não é a regra, mas que tem muitas exceções, isso tem.

Qualquer uma das duas formas acima não atende aos interesses pecuniários, e principalmente aos valores morais e profissionais da agência de publicidade.

Para um velho publicitário como eu, que atua neste mercado ha mais de 50 anos, escrever sobre isso, nesses termos, é muito triste, chega a ser um retrocesso, porque parece que estamos voltando no tempo e, francamente, não sei onde vamos parar, o que sei é que, se não tomarmos muito cuidado, vamos voltar, sim, ao tempo dos corretores e do amadorismo. Isso é tudo o que não queremos para a nossa atividade, que lutou tanto contra tudo e contra todos para criar uma personalidade própria e sempre fez por merecer o respeito, não só da nossa comunidade mas de todos os segmentos da sociedade brasileira.